quinta-feira, 19 de abril de 2012

Capítulo XVI

21 de agosto de 1914

....Meus dedos estavam presos pelo mordente, eu não conseguia tirá-los. A morsa pressionava meus dois dedos fortemente.
-Vamos ver quanto tempo você aguenta com os dedinhos presos, pequeno Chuck.- Papai olhava para o relógio.
- Não papai, não!- Eu suplicava ao papai.
-Sim, sim, sim...Se ficar em silêncio pequeno Chuck, não receberá tapas na cabeça, ok? -Papai ria sem parar.
-Papai, o que está fazendo? - Eu tentava tirá-los. -Me tire daqui. -Comecei a gritar.
Papai me deu um tapa na cara e apertava ainda mais.
-CALA ESSA BOCA, SEU FRANGUINHO DE MERDA!
-Papai, me tira daqui!
-PARE DE RESMUNGAR, SEU IMPRESTÁVEL. - Papai disse, ao me dar outro tapa na cara.
Meu braço começou a ficar dormente. Eu não podia agachar, pois o nervo do braço seria esticado, e se ficasse com o braço dobrado, ele começava a ficar roxo.
-Papai, por favor, tire-me daqui. Por favor. Oww!! Nããão!! - Eu gritava de dor.
Papai me dava tapas na cabeça por não ficar em silêncio.
-Só mais um pouco pequeno Chuck. Só mais um pouco.
-Ahhhh, me tire daqui. SEU MALDITO. AHHHHHHHHHHH! - Gritei com toda força.
-Prooonto!! E o pequeno Chuck, vence o desafio!- Papai girou o madril no sentido contrário.
Cai no chão com os dois dedos roxos e com o braço dormente. Sem perder tempo, papai, já me levantou do chão pelo colarinho e aos berros disse:
-Maldito?? Você tá chamando seu velho pai de Maldito?? Seu muleque filho da puta, sem educação!
Ele gritava tão forte que sua baba escorria pelo canto da boca. Os cuspes encontravam meu rosto.
Papai me jogou no chão e apertou com toda força meus dois dedos roxos.
-Você merece ser punido seu menino malvado. Você meu ouviu? - Papai gritava.
-Só lembro que apaguei. Desmaiei no meio da oficina....

Capítulo XV

21 de agosto de 1914

(Dia seguinte)

Do nada, fui acordado com murros na porta do quarto. Meu pai correu até mim e se aproximou. Eu ainda estava sonolento. papai ficou frente a frente comigo. Eu o olhava atentamente.
Aquela cara fédica e suja do meu pai. Pele oleosa e corada, barba por fazer, hálito de alho com boca seca faziam eu ter náuseas. Eu fiquei estático.
Papai me puxou pelas pernas, que fez com que eu caísse da cama com tudo. Bati fortemente minha nuca no  chão. - Ahh minha cabeça, porra! - eu disse.
-Levante seu fedelho boca suja. Tem um trabalhinho pra você. - Ele dizia com certa pressa.
-Calma pai, calma! -Eu dizia ao tentar me equilibrar.
-Só está nós dois em casa, vamos nos divertir um pouco, pequeno Chuck.
Papai me conduziu até a oficina ao me segurar pelo pescoço. Seus passos eram largos e rápidos. Eu tentava me equilibrar.
Na oficina, haviam serrotes, alicates de corte, brocas, bisturis enferrujados, morsas, pinos afiados, chaves de fenda e uma serra.
-Venha filhão, venha ajudar o papai. - Meu pai dizia com a respiração ofegante.
-O que houve papai? - Eu o observava imóvel.
-Nada filhão...nada. - Ele arregalou os olhos deu risada e me puxou pelo colarinho.
-Vamos brincar um pouco, pequeno Chuck.- Papai dizia enquanto segurava meu braço esquerdo.
-O que vai fazer, papai?- Perguntei assustado.
Papai pegou uma morsa, pôs na mesa e disse:
-Bem, pequeno Chuck. Já que você bateu no seu irmão ontem...
-O QUÊ, PAPAI? - Respondi apreensivo.
 -Silêêncio seu muleque mal-educado. - Bem, continuando...
-Pequeno Chuck, vou fazer um pequeno desafio com você. Primeiro, me dê seus dois dedinhos, isso....indicador e médio....agora vou colocá-los como estou fazendo agora, entre os mordentes da morsa, está vendo?.....e agora..... papai vai começar a girar o mandril....Isssso.
-O quê está fazendo, papai? - Perguntei enquanto tremia de medo.
-Pequeno Chuck, a chave do mandril, é conhecida por girar o pino central e fechar os mordentes. Entendeu, meu garoto? -Hahahahaha!
Papai ria sem parar...

Capítulo XIV

20 de Agosto de 1914

Papai não estava em casa e mamãe estava na cozinha.
Fui à procura de Henry. O encontrei no jardim. Ele treinava baseball.
Arremessava a bola em um aparde.
Cheguei próximo à ele e perguntei:
-Foi você, né?
-Foi eu o quê? O que você tá dizendo, seu fedelho? -Henry respondeu enquanto jogava a bola de baseball na parede.
-Foi por sua causa que apanhei da mamãe não é?
-Você perdeu o juízo? - Henry retrucou.
-Aquela revista. Aquela revista pertencia à você Henry. A encontrei sem querer e ao vê-la, fui pego pela mamãe. Mamãe me espancou e me fez rezar o terço durante a noite inteira. Me deixou de castigo.
-Não sei do que você está falando. - Henry continuava a jogar a bola de baseball cada vez mais forte na parede.
-Vai lá e diga para mamãe que a revista era sua, Henry! -Eu disse.
Henry segurou a bola no ar e começou a rir.
-Você está louco Charles Gein? Você que apanhou, não eu. Não posso fazer nada por você.
-Henry, diga para mamãe que a revista era sua.
-Não, direi nada.
-Diga Henry, Diga.
-Não vou dizer.
-Diga, Henry.
-Não.
-DIGA!! -Gritei.
-NÃOOO, SEU MULEQUE!!
Corri e me joguei contra ele.
Rolamos no chão mas fui imobilizado por ele ser mais velho e pesado do que eu.
Me depati e o acertei no rosto. Henry ficou furioso e me acertou um tapa no rosto também.
Começamos a brigar. Estávamso aos gritos.
Mamãe corria até nós. -Parem já com isso! -Ela dizia.
Ela corria até nós.
Rolávamos na terra batida.
Mamãe chegou, apartou a briga e perguntou nervosa:
-O que está havendo aqui seus muleques?
-Foi ele que começou! -Eu disse.
-Não, foi ele. - Henry retrucou.
-O que houve aqui? - Mamãe perguntou novamente.
Mas eu não iria dizer sobre a revista, pois mamãe iria deduzir que eu ainda lembrava das tais fotos. EU podeia apanhar mais.  Ela não iria acreditar em mim.
Henry também não disse nada. Ele omitiu.
Mamãe nos levou até a casa.
-Vocês verão quando o pai de vocês chegar!
Ultimamente, ambos sabíamos, que nosso pai estava furioso...
...só não sabíamos qual dos dois ele iria escolher primeiro.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Capítulo XIII

18 de Agosto de 1914

Olá diário, tudo bem? Eu não estou nada bem, apanhei novamente.
Henry estava na escola e papai na casa do vizinho arrumando a afiação da casa.
Mamãe estava na cozinha. Eu esperava o almoço.
Enquanto isso, montava meu quebra-cabeça de 1.000 peças.
Faltava a metade das peças para eu terminar o quebra-cabeça.
Ao pensar e a pensar com as peças nas mãos.... sem querer, vi algo embaixo das almofadas do sofá da sala.
Encontrei uma revista. Uma revista com uma mulher nua na capa.
Eu nunca tinha visto aquilo. Larguei o quebra-cabeça e comecei a folheá-la.
Meu pingulim começou a ficar estranho. Começou a crescer.
As fotos eram bonitas, a cada página, havia mais e mais mulheres nuas.
Do nada, mamãe tirou a revista das minhas mãos e gritou aos berros.
-MEU DEUS DO CÉU CHARLES. CRISTO QUE ESTAIS NO CÉU. QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO SEU MULEQUE ??
Mamãe começou a me benzer ao ar.
-Meu filho, meu próprio filho, já está sendo levado pelo próprio diabo. Oh, meu Deus.
Eu a observava. Não entendia porque ela fazia aquilo.
Mamãe, ao rasgar a revista com toda força dizia:
-Você é um menino muito mau Charles Gein. Simmmm, você merece ser castigado.
-O que houve mamãe? - Eu perguntava apreensivo.
-Porque você está com a mão ai? - Deixe-me ver seu pinto, seu muleque indecente.
-Porque mamãe?
-Ah, então está grande, né?
Mamãe estava nervosa e parecia não acreditar no que via.
Mamãe me debruçou em seu colo, tirou seu tamanco do pé e começou a me bater.
-Tome isso seu muleque indecente. Tome, tome isso para aprender.
-NÃO MAMÃE. PARE POR FAVOR.
-Você está levando essa família inteira ao reino de satanás, Charles Gein. - Pornografia aqui não. AQUI NÃO. Já não disse?
-Desculpe mamãe, por favor mamãe, pare mamãe.
-VOCÊ ESTÁ DIFAMANDO ESTA CASA SEU MULEQUE. - Mamãe dizia aos berros.
-Mamãe por favor, pare. - Eu chorava sem parar.
-Você gostou da revista, Charles Gein? - Mamãe perguntou.
-....
-Me responda seu muleque insolente. - Mamãe perguntou novamente.
-Sim, mamãe.- respondi.
-Então, você vai comê-la... para que o mau seja digerido e extirpado da nossa morada. Vamos lá, coma! Coma, Charles Gein.
Mamãe me obrigou a comer as páginas da revista.
Eu chorava sem parar.
Sem mamãe perceber, reparei um vulto na cortina. Do lado de fora da casa, escondido atrás da janela, Henry observava tudo em silêncio.
Eu estava apanhando de graça.
-NUNCA MAIS TRAGA ESSAS REVISTAS DO DEMÔNIO NESTA CASA...
Henry e eu, sabíamos que eu apanhava em seu lugar.
Mamãe continuava a me bater.
A raiva começava a se instalar em mim.
Meu pai, minha mãe, agora meu irmão?
A raiva começava a se instalar em mim.
Minha respiração começa a ficar mais forte, mais forte e meu olhar focado, no nada.
A respiração começava a ficar forte....

segunda-feira, 12 de março de 2012

Capítulo XII

16 de junho de 1914

Hoje, vi papai surrar mamãe com um chinelo velho. Quanto mais ela gritava, mais ele batia. Ela tentava se defender, como se quisesse segurar o chinelo no ar, mas em vão.
Papai batia em suas costas, costelas, parte da cabeça.
-Você é culpada! -Papai gritava.
-Pare George, por favor!! - Mamãe dizia trêmula.
Eu assistia tudo aquilo sentado no tapete da sala.
Ela no chão, se retorcia inteira, papai, não parava de rir.
Havia várias garrafas de whisky vazias pela casa.
-O que acha disso, pequeno Chuck? -Papai me perguntava enquanto descansava um taco em seu ombro.
-Papai, solte a mamãe, por favor! - Disse com lágrimas nos olhos.
Papai sorriu pelo canto da boca e saiu pelas portas do fundo.
Com dificuldade, mamãe começava a se levantar.
Eu a ajudei.
-Deixe ajudá-la, mamãe.
-Charles, meu filho. - Mamãe respondia com cara de dor em sua face.
-Porque papai fez aquilo, mamãe? - Perguntei.
-Seu pai está certo. Eu estou errada. - mamãe dizia. - Devemos respeitá-lo.-Mamãe?
-Seu pai me pediu uma coisa e relutei à fazer. - Devemos respeitá-lo.
-Mas mamãe...?
-Você me entendeu, pequeno Charles? 
-Sim mamãe.
 Aprendi que deviamos usar a força contra aqueles que estão contra nossa vontade.
Mamãe me pôs na cama e dormi sem saber o que havia acontecido.

Capítulo XI

27 de maio de 1914

Quando cheguei da escola, mamãe fazia o almoço, meu irmão estava na garagem com papai.
Papai consertava o carro do vizinho. Ele usava aquele macacão azul e aquelas velhas botas pretas.
Papai ligava o motor e acelerava...acelerava...o som do motor era ensurdecedor.
Henry com as mãos nas orelhas, gritava sem parar.
Não se podia ouvir nada.
Papai desligou o carro, foi até a caixa de ferramentas, pegou um alicate de pressão de aço e chamou Henry.
- O que foi papai? - Henry perguntou.
-Vamos brincar filho. Papai dizia com um sorriso no rosto.
Papai pegou o dedo de Henry, o colocou entre o alicate, e brincou que cortaria seu polegar.
-Vou te castigar, pequeno Henry! -Papai dizia com o polegar de meu irmão dentro do alicate.
-Nãão papai. Não faça isso. -Henry suplicava a papai.
-No três heim....1.....2.....3...... - Ahh! Te peguei!
Papai não parava de rir. Henry tremia de medo.
Papai o soltou, me acenou um oi e voltou a ligar o carro...
Corri pra dentro da casa para contar à mamãe.
Só que mamãe havia saido...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Capítulo X

20 de maio de 1914

Olá diário, tudo bem?
A noite foi longa para mim. Não consegui dormir. Estive com dores no estômago.
Pela manhã, mamãe preparou um chá para aliviar as dores estomacais. Meu irmão já estava na escola.
Dormi um pouco para descansar.
Acordei com minha mãe dando tapinhas no ombro.
Eu a vi. Ela estava chorando, descabelada, com marcas no pescoço e seu olho esquerdo estava roxo.
Ela dizia chorando "te amo filho", "a mamãe te ama, tá?"
Eu sentei na cama e não sabia o que estava acontecendo. "O que houve mamãe"? perguntava com as mãos na barriga, doia muito.
Papai, então, abriu a porta do quarto com tudo, quebrou a mobília com um chute e nos encarou.
Ele segurava um taco de beisebol.
Chamou mamãe. - "Augusta, venha já aqui!"
Mamãe obedeceu. Papai ainda a empurrou pelos cabelos para fora do quarto.
Papai me observava sem piscar, seu olhar era furtivo.
Ele batia lentamente o taco de beisebol em sua perna.
- E você seu pestinha maldito? - Venha já aqui!!
- Não papai, não!
Ele me arrancou da cama pela orelha, me jogou no chão e pressionou seu joelho contra minhas costas. Eu não conseguia respirar. Minha barriga doia sem parar.
-Seu mariquinha, seu muleque ingrato! Indecente! - Papai gritava em minha orelha.
Dizia que eu era o culpado.
Eu não sabia do que ele estava falando...

Capítulo IX

14 de abril de 1914

Olá diário, tudo bem?
Já passava das duas da madrugada. Levantei da cama e fui ao banheiro.
Após a descarga, lavei as mãos e resolvi tomar um copo d'agua.
Ao voltar, ouvi um barulho vindo da sala, fui pelo corredor e cheguei até a sala de estar.
A TV estava ligada. Papai a assistia.
Papai segurava um copo de whisky em uma mão e a garrafa em outra.
Fiquei parado ao lado da mobília da sala, observando-o.
Papai olhou para o lado, abaixou a cabeça entre seus óculos e fitou-me.
-Pequeno Chuck, venha aqui! - Papai disse ao dar tapinhas no próprio joelho para me sentar.
Caminhei até ele, lentamente.
-Venha, venha! - Papai dizia.
-Obrigado papai. - disse ao me acomodar em seu colo.
-Como está filho?- Papai perguntava ao acariciar meus cabelos.
-Estou bem papai.
-Sem sono?
-Sim.
Papai riu.
Eu assistia a TV sem piscar, então perguntei.
-Papai?
-Sim?
-O senhor está bravo comigo?
-Não, pequeno Chuck. Porque pergunta isso?
O senhor irá me maltratar?
-Claro que não.
-Papai?
-Sim?
-Porque o senhor bebe tanto?
-Pequeno Chuck, quando você ficar mais velho, irei lhe responder.
-Papai?
-Sim?
-O senhor me ama?
Papai então, me distanciou de seu peito, fitou me nos olhos e disse:
-Claro que sim pequeno Chuck. Claro que te amo!
Voltou a me abraçar.
-Eu também te amo papai.
Eu já começava a pregar os olhos em seu colo.
Dia seguinte, acordei na cama.

Capítulo VIII

29 de março de 1914

Olá diário, Droga!
Fiquei a pensar nesses dois dias sobre meu irmão. O coitado estava todo marcado pela surra que levou de papai.
Logo após o almoço, chamei Henry para conversar. Subimos as escadas e fomos até nosso quarto.
-Henry, venha aqui.- Disse ao segurá-lo pela mão.
-O que foi, Chuck?
-Como você está? O que papai te fez? - Perguntei ao por minha mão em seu ombro.
Henry arregalou os olhos, pegou meu colarinho e me empurrou contra a parede.
-Não me fale dele, entendeu?
-Sim Henry, me desculpe.- Eu disse.
-Você ouviu? -NÃO....ME FALE....MAIS....DELE!! - Henry me empurrava contra a parede.

-Sim...desculpe, irmão. -Eu disse.
Henry largou me, ficou imóvel por alguns instantes e disse:
-Desculpe irmãozinho, não fiz por mau.
Henry saiu do quarto e desceu as escadas... ele ainda mancava...
Ele fez comigo, exatamente o que papai fez com ele.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Capítulo VII

 28 de março de 1914 (de madrugada)

Sentei na cama e toquei em Henry. O mesmo estava todo marcado, arranhando e roxo.
-Henry, Henry. Tudo bem com você? -Fale Comigo.
-Charles...
-Sim, Henry. Diga!- Eu insistia.
Toquei em seu braço levemente, ele gemeu de dor.
-Ai, Charles, dói muito. - Henry segurava o braço.
-O que papai fez com você, Henry? - Perguntei.
-Ele me espancou com o cinto de couro nas duas nádegas, esfregou meu rosto no carpete até começar a queimar, puxou meu cabelo com as duas mãos. Não sei porque ele fez isso.
-Ele e mamãe, estão brigando quase todos os dias. - Eu disse.
-Estou com medo, Charles.
- Eu também, Henry.
-Te amo, irmão. - Eu disse.
Henry sentou ao meu lado e nos abraçamos em silêncio.
Não havia o que dizer à ele...

Capítulo VI

27 de março de 1914

Olá diário, tudo bem? Estou com medo.
Papai subiu as escadas. Ele estava furioso. Seu passo era largo e rápido.
Corremos até o quarto, mas papai segurou Henry pelo braço, o virou, e o levantou pela gola da camisa.
Papai bateu no rosto de Henry que o fez cair no chão.
Corri até o quarto para debaixo das cobertas.
Mamãe gritava sem parar:
-Pare, George, pelo amor de Deus. Pare, por favor!
Ela tentava segurá-lo pelas costas, mas em vão.
-Me largue mulher! - Papai dizia.
- Pare George, não faça isso. - Mamãe tentava agarrá-lo.
Papai a puxou pelos cabelos e a empurrou para o guarda-roupa do quarto. Mamãe ficou desacordada no chão.
Papai foi até meu irmão. Tirou o cinto da calça, pegou Henry pelo pescoço e o obrigou a abaixar as calças.
-Vamos lá, seu viadinho de merda, tire essas calças, vamos lá! Seu imprestável. -Papai dizia com o cinto de couro na mão.
Henry abaixou as calças e virou as costas para papai. Ele não disse sequer uma palavra.
Me escondi debaixo das cobertas, mas só ouvia os barulhos vindo do cinto.
Papai era muito forte. Henry chorava sem parar.
Depois de um certo tempo, peguei no sono. Acordei com tapinhas no ombro, era Henry.
O mesmo me olhava com olhos assustados...

Capítulo V

27 de março de 1914

Olá diário, tudo bem?
Hoje, mamãe nos disse, que papai iria nos trazer brinquedos. Meu irmão e eu ficamos felizes quando mamãe nos contou a surpresa. Temos poucos brinquedos.
Almoçamos e brincamos no quintal a tarde toda.
Ao entardecer, estávamos no quarto montando quebra-cabeça, ouvimos a campanhia, pulamos da cama, corremos pelo corredor e paramos no topo da escada.
Vimos papai e mamãe conversando na entrada da casa.
Mamãe estava séria e conversava com papai em voz alta. Papai estava com algo nas mãos.
-São os presentes? perguntei.
Henry olhou e olhou, só que não era os presentes, e sim, uma garrafa.
Papai estava bêbado, se segurava na mobília para não cair.
Henry me abraçava enquanto testemunhávamos mamãe e papai brigando na sala.
Permanecemos ali por quase dez minutos, até papai nos ver escondidos atrás da escada.
-Ei, seus fedelhos? - Papai gritou ao correr até nós.
Mamãe corria logo atrás, e ao tentar segurá-lo dizia:
-Não, George, não...por favor...

Capítulo IV

23 de fevereiro de 1914

Olá diário, como está? Bem? Porque eu não estou.
Hoje ao acordar, papai me deixou assustado.
Papai abriu a porta do nosso quarto e começou a nos acordar com empurrões fortes.
-Acorde seus franguinhos, vamos, vamos! - Papai dizia sem parar.
Acordei assustado, ele continuava a me balançar.
Henry ficou debaixo das cobertas, não quis levantar.
-Deixe-me aqui só mais cinco minutos.-Henry disse.
Papai então, saiu do quarto, foi até a cozinha e começou procurar algo no armário da cozinha, ao voltar acendeu a luz.
Só que eu não esperava que papai batesse com um bule de fazer café, na cabeça de Henry.
Ele o puxou pelas pernas. O obrigou a sair da cama.
-Levanta fedelho! Estou mandando, seu vagabundinho.-Papai dizia.
Henry levantou com lágrimas nos olhos.
-Sim, papai, sim. -Henry dizia com os olhos com lágrimas.
Sentado na cama, eu observava tudo aquilo...

Capítulo III

11 de fevereiro de 1914

Olá diário, tudo bem?
Nós já haviamos jantado. Já era tarde, mamãe nos colocou na cama. Mamãe nos deu um beijo de boa noite, desligou a luz e foi para sua cama.
Não conseguia dormir. Estava sem sono, virava de um lado pra outro. Henry já dormia tranquilamente.
No relógio, o ponteiro maior marcava 12 e o menor marcava 2.
Ouvi um barulho vindo da sala.
Levantei da cama, corri pelo corredor nas pontinhas dos pés. O tapete do corredor me ajuda a não fazer barulho.
Ao chegar na porta principal, vi que era papai que chegara do trabalho. Ele vestia um macacão azul e botas pretas.
Papai arranjou um trabalho temporário em uma oficina de carros. Ele estava com graxa nas mãos e braços. Passou por mim e foi até a cozinha.
Lá, papai abriu a geladeira e ficou ali parado, imóvel olhando para dentro da geladeira.
Já passava da meia noite.
Ele subiu as escadas. Percebi que estava bêbado e cambaleava pelo corredor.
O cheiro do álcool me fazia ter náuseas.
Voltei para o quarto e fui para cama.

Capítulo II

11 de fevereiro de 1914

Olá diário, tudo bem?
Enquanto estou na mesa do jantar eu escrevo em você.
Hoje, antes do jantar, minha mãe, meu irmão e eu, nos reunimos na sala de jantar para rezar o terço. Rezar para Deus, nosso Senhor.
-Não encoste na mesa antes de rezarmos, Charles! - Mamãe disse com um olhar autoritário quando peguei o prato.
Mamãe nos ensina sempre manter o caminho correto. Ela não permite erros. Mamãe, não deixa eu ter amigos, pois ela diz ser prejudicial para mim.
-Pequeno Chuck, o diabo está onde menos espera! - Mamãe sempre dizia.
Demos as mãos e começamos a rezar.
Logo depois, jantávamos felizes.
Papai não estava em casa...

Capítulo I

Caro Visitante, leia em primeiro lugar, a notícia "Breaking News CNN".
Cordialmente, o FBI.

03 de fevereiro de 1914

Olá, querido diário.
Esse é meu primeiro comentário em você.
Mamãe acabou de te comprar. Você cheira a novo. Diário da capa vermelha, vou escrever minhas mémorias em você.
Tudo o que eu viver na minha vida, irei escrever em você querido diário. Você será meu melhor amigo.
Bem, meu nome é Charles Gein, nasci no ano de 1906, tenho sete anos. Moro com meus pais e meu irmão mais velho.
Meu pai se chama George Gein. Ele costuma beber muito e está constantemente desempregado, mas as vezes, trabalha como mecânico.
Minha mãe se chama Augusta Lehrke, ela é temente a Deus mas sempre briga com meu pai. Eu não sei o porquê. Ela nos ensinou a rezar o terço e carregar uma cruz de madeira no bolso sempre ao sair de casa. Também nos ensinou que a bebida alcoólica era demoníaca e que todas as mulheres eram prostitutas e instrumentos do diabo, e que o sexo só serve para ter filhos.
Meu irmão se chama Henry Gein, ele é dois anos mais velho.
Somos uma família feliz.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Temporada 1 - Breaking News CNN




















10 de julho de 1968

Olá, bom dia. Sou Ashley Bates do canal CNN.
Últimas informações sobre o "Caso do Assassino de Wisconsin". O FBI acaba de descobrir seu paradeiro e esconderijo.
Seu nome é Charles Gein, ele é culpado de matar cinco pessoas e torturar mais de quinze mulheres no estado de La Crosse.
A polícia ainda não tem informações de como o sujeito matou suas vítimas, apesar de muitas delas estarem esquartejadas e dependuradas por cabos em pleno porão de Gein.
O que chamou a atenção da polícia do FBI, é que muitas de suas vítimas, estavam sem a pele do rosto e das mãos. Foram encontradas máscaras e luvas feita de pele humana. O que mostra que Charles Gein possa ter escalpelado cada uma de suas vítimas e usado para criar tais utensílios. Assim, como foi encontrado, xícaras feito de crânios humanos, puxador de janela feito de lábios humanos, cinto feito com mamilos humanos.

e... essa notícia acaba de chegar em nossa redação:

O FBI, também encontrou em seus pertences, um diário, que possa haver pistas de como Charles planejou e executou seus crimes. "Há escritos de quando Charles ainda era um adolescente" disse um policial.
O FBI acha que o diário serve como peça-chave para desvendar os verdadeiros motivos dos crimes de Charles Gein.
Aqui, você tem acesso à ele.
Outras informações, em breve.
Sou, Ashley Bates para o Jornal Breaking News da CNN.
Bom dia!