14 de abril de 1914
Olá diário, tudo bem?
Já passava das duas da madrugada. Levantei da cama e fui ao banheiro.
Após a descarga, lavei as mãos e resolvi tomar um copo d'agua.
Ao voltar, ouvi um barulho vindo da sala, fui pelo corredor e cheguei até a sala de estar.
A TV estava ligada. Papai a assistia.
Papai segurava um copo de whisky em uma mão e a garrafa em outra.
Fiquei parado ao lado da mobília da sala, observando-o.
Papai olhou para o lado, abaixou a cabeça entre seus óculos e fitou-me.
-Pequeno Chuck, venha aqui! - Papai disse ao dar tapinhas no próprio joelho para me sentar.
Caminhei até ele, lentamente.
-Venha, venha! - Papai dizia.
-Obrigado papai. - disse ao me acomodar em seu colo.
-Como está filho?- Papai perguntava ao acariciar meus cabelos.
-Estou bem papai.
-Sem sono?
-Sim.
Papai riu.
Eu assistia a TV sem piscar, então perguntei.
-Papai?
-Sim?
-O senhor está bravo comigo?
-Não, pequeno Chuck. Porque pergunta isso?
O senhor irá me maltratar?
-Claro que não.
-Papai?
-Sim?
-Porque o senhor bebe tanto?
-Pequeno Chuck, quando você ficar mais velho, irei lhe responder.
-Papai?
-Sim?
-O senhor me ama?
Papai então, me distanciou de seu peito, fitou me nos olhos e disse:
-Claro que sim pequeno Chuck. Claro que te amo!
Voltou a me abraçar.
-Eu também te amo papai.
Eu já começava a pregar os olhos em seu colo.
Dia seguinte, acordei na cama.
Nenhum comentário:
Postar um comentário