terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Capítulo X

20 de maio de 1914

Olá diário, tudo bem?
A noite foi longa para mim. Não consegui dormir. Estive com dores no estômago.
Pela manhã, mamãe preparou um chá para aliviar as dores estomacais. Meu irmão já estava na escola.
Dormi um pouco para descansar.
Acordei com minha mãe dando tapinhas no ombro.
Eu a vi. Ela estava chorando, descabelada, com marcas no pescoço e seu olho esquerdo estava roxo.
Ela dizia chorando "te amo filho", "a mamãe te ama, tá?"
Eu sentei na cama e não sabia o que estava acontecendo. "O que houve mamãe"? perguntava com as mãos na barriga, doia muito.
Papai, então, abriu a porta do quarto com tudo, quebrou a mobília com um chute e nos encarou.
Ele segurava um taco de beisebol.
Chamou mamãe. - "Augusta, venha já aqui!"
Mamãe obedeceu. Papai ainda a empurrou pelos cabelos para fora do quarto.
Papai me observava sem piscar, seu olhar era furtivo.
Ele batia lentamente o taco de beisebol em sua perna.
- E você seu pestinha maldito? - Venha já aqui!!
- Não papai, não!
Ele me arrancou da cama pela orelha, me jogou no chão e pressionou seu joelho contra minhas costas. Eu não conseguia respirar. Minha barriga doia sem parar.
-Seu mariquinha, seu muleque ingrato! Indecente! - Papai gritava em minha orelha.
Dizia que eu era o culpado.
Eu não sabia do que ele estava falando...

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