quinta-feira, 19 de abril de 2012

Capítulo XVI

21 de agosto de 1914

....Meus dedos estavam presos pelo mordente, eu não conseguia tirá-los. A morsa pressionava meus dois dedos fortemente.
-Vamos ver quanto tempo você aguenta com os dedinhos presos, pequeno Chuck.- Papai olhava para o relógio.
- Não papai, não!- Eu suplicava ao papai.
-Sim, sim, sim...Se ficar em silêncio pequeno Chuck, não receberá tapas na cabeça, ok? -Papai ria sem parar.
-Papai, o que está fazendo? - Eu tentava tirá-los. -Me tire daqui. -Comecei a gritar.
Papai me deu um tapa na cara e apertava ainda mais.
-CALA ESSA BOCA, SEU FRANGUINHO DE MERDA!
-Papai, me tira daqui!
-PARE DE RESMUNGAR, SEU IMPRESTÁVEL. - Papai disse, ao me dar outro tapa na cara.
Meu braço começou a ficar dormente. Eu não podia agachar, pois o nervo do braço seria esticado, e se ficasse com o braço dobrado, ele começava a ficar roxo.
-Papai, por favor, tire-me daqui. Por favor. Oww!! Nããão!! - Eu gritava de dor.
Papai me dava tapas na cabeça por não ficar em silêncio.
-Só mais um pouco pequeno Chuck. Só mais um pouco.
-Ahhhh, me tire daqui. SEU MALDITO. AHHHHHHHHHHH! - Gritei com toda força.
-Prooonto!! E o pequeno Chuck, vence o desafio!- Papai girou o madril no sentido contrário.
Cai no chão com os dois dedos roxos e com o braço dormente. Sem perder tempo, papai, já me levantou do chão pelo colarinho e aos berros disse:
-Maldito?? Você tá chamando seu velho pai de Maldito?? Seu muleque filho da puta, sem educação!
Ele gritava tão forte que sua baba escorria pelo canto da boca. Os cuspes encontravam meu rosto.
Papai me jogou no chão e apertou com toda força meus dois dedos roxos.
-Você merece ser punido seu menino malvado. Você meu ouviu? - Papai gritava.
-Só lembro que apaguei. Desmaiei no meio da oficina....

Capítulo XV

21 de agosto de 1914

(Dia seguinte)

Do nada, fui acordado com murros na porta do quarto. Meu pai correu até mim e se aproximou. Eu ainda estava sonolento. papai ficou frente a frente comigo. Eu o olhava atentamente.
Aquela cara fédica e suja do meu pai. Pele oleosa e corada, barba por fazer, hálito de alho com boca seca faziam eu ter náuseas. Eu fiquei estático.
Papai me puxou pelas pernas, que fez com que eu caísse da cama com tudo. Bati fortemente minha nuca no  chão. - Ahh minha cabeça, porra! - eu disse.
-Levante seu fedelho boca suja. Tem um trabalhinho pra você. - Ele dizia com certa pressa.
-Calma pai, calma! -Eu dizia ao tentar me equilibrar.
-Só está nós dois em casa, vamos nos divertir um pouco, pequeno Chuck.
Papai me conduziu até a oficina ao me segurar pelo pescoço. Seus passos eram largos e rápidos. Eu tentava me equilibrar.
Na oficina, haviam serrotes, alicates de corte, brocas, bisturis enferrujados, morsas, pinos afiados, chaves de fenda e uma serra.
-Venha filhão, venha ajudar o papai. - Meu pai dizia com a respiração ofegante.
-O que houve papai? - Eu o observava imóvel.
-Nada filhão...nada. - Ele arregalou os olhos deu risada e me puxou pelo colarinho.
-Vamos brincar um pouco, pequeno Chuck.- Papai dizia enquanto segurava meu braço esquerdo.
-O que vai fazer, papai?- Perguntei assustado.
Papai pegou uma morsa, pôs na mesa e disse:
-Bem, pequeno Chuck. Já que você bateu no seu irmão ontem...
-O QUÊ, PAPAI? - Respondi apreensivo.
 -Silêêncio seu muleque mal-educado. - Bem, continuando...
-Pequeno Chuck, vou fazer um pequeno desafio com você. Primeiro, me dê seus dois dedinhos, isso....indicador e médio....agora vou colocá-los como estou fazendo agora, entre os mordentes da morsa, está vendo?.....e agora..... papai vai começar a girar o mandril....Isssso.
-O quê está fazendo, papai? - Perguntei enquanto tremia de medo.
-Pequeno Chuck, a chave do mandril, é conhecida por girar o pino central e fechar os mordentes. Entendeu, meu garoto? -Hahahahaha!
Papai ria sem parar...

Capítulo XIV

20 de Agosto de 1914

Papai não estava em casa e mamãe estava na cozinha.
Fui à procura de Henry. O encontrei no jardim. Ele treinava baseball.
Arremessava a bola em um aparde.
Cheguei próximo à ele e perguntei:
-Foi você, né?
-Foi eu o quê? O que você tá dizendo, seu fedelho? -Henry respondeu enquanto jogava a bola de baseball na parede.
-Foi por sua causa que apanhei da mamãe não é?
-Você perdeu o juízo? - Henry retrucou.
-Aquela revista. Aquela revista pertencia à você Henry. A encontrei sem querer e ao vê-la, fui pego pela mamãe. Mamãe me espancou e me fez rezar o terço durante a noite inteira. Me deixou de castigo.
-Não sei do que você está falando. - Henry continuava a jogar a bola de baseball cada vez mais forte na parede.
-Vai lá e diga para mamãe que a revista era sua, Henry! -Eu disse.
Henry segurou a bola no ar e começou a rir.
-Você está louco Charles Gein? Você que apanhou, não eu. Não posso fazer nada por você.
-Henry, diga para mamãe que a revista era sua.
-Não, direi nada.
-Diga Henry, Diga.
-Não vou dizer.
-Diga, Henry.
-Não.
-DIGA!! -Gritei.
-NÃOOO, SEU MULEQUE!!
Corri e me joguei contra ele.
Rolamos no chão mas fui imobilizado por ele ser mais velho e pesado do que eu.
Me depati e o acertei no rosto. Henry ficou furioso e me acertou um tapa no rosto também.
Começamos a brigar. Estávamso aos gritos.
Mamãe corria até nós. -Parem já com isso! -Ela dizia.
Ela corria até nós.
Rolávamos na terra batida.
Mamãe chegou, apartou a briga e perguntou nervosa:
-O que está havendo aqui seus muleques?
-Foi ele que começou! -Eu disse.
-Não, foi ele. - Henry retrucou.
-O que houve aqui? - Mamãe perguntou novamente.
Mas eu não iria dizer sobre a revista, pois mamãe iria deduzir que eu ainda lembrava das tais fotos. EU podeia apanhar mais.  Ela não iria acreditar em mim.
Henry também não disse nada. Ele omitiu.
Mamãe nos levou até a casa.
-Vocês verão quando o pai de vocês chegar!
Ultimamente, ambos sabíamos, que nosso pai estava furioso...
...só não sabíamos qual dos dois ele iria escolher primeiro.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Capítulo XIII

18 de Agosto de 1914

Olá diário, tudo bem? Eu não estou nada bem, apanhei novamente.
Henry estava na escola e papai na casa do vizinho arrumando a afiação da casa.
Mamãe estava na cozinha. Eu esperava o almoço.
Enquanto isso, montava meu quebra-cabeça de 1.000 peças.
Faltava a metade das peças para eu terminar o quebra-cabeça.
Ao pensar e a pensar com as peças nas mãos.... sem querer, vi algo embaixo das almofadas do sofá da sala.
Encontrei uma revista. Uma revista com uma mulher nua na capa.
Eu nunca tinha visto aquilo. Larguei o quebra-cabeça e comecei a folheá-la.
Meu pingulim começou a ficar estranho. Começou a crescer.
As fotos eram bonitas, a cada página, havia mais e mais mulheres nuas.
Do nada, mamãe tirou a revista das minhas mãos e gritou aos berros.
-MEU DEUS DO CÉU CHARLES. CRISTO QUE ESTAIS NO CÉU. QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO SEU MULEQUE ??
Mamãe começou a me benzer ao ar.
-Meu filho, meu próprio filho, já está sendo levado pelo próprio diabo. Oh, meu Deus.
Eu a observava. Não entendia porque ela fazia aquilo.
Mamãe, ao rasgar a revista com toda força dizia:
-Você é um menino muito mau Charles Gein. Simmmm, você merece ser castigado.
-O que houve mamãe? - Eu perguntava apreensivo.
-Porque você está com a mão ai? - Deixe-me ver seu pinto, seu muleque indecente.
-Porque mamãe?
-Ah, então está grande, né?
Mamãe estava nervosa e parecia não acreditar no que via.
Mamãe me debruçou em seu colo, tirou seu tamanco do pé e começou a me bater.
-Tome isso seu muleque indecente. Tome, tome isso para aprender.
-NÃO MAMÃE. PARE POR FAVOR.
-Você está levando essa família inteira ao reino de satanás, Charles Gein. - Pornografia aqui não. AQUI NÃO. Já não disse?
-Desculpe mamãe, por favor mamãe, pare mamãe.
-VOCÊ ESTÁ DIFAMANDO ESTA CASA SEU MULEQUE. - Mamãe dizia aos berros.
-Mamãe por favor, pare. - Eu chorava sem parar.
-Você gostou da revista, Charles Gein? - Mamãe perguntou.
-....
-Me responda seu muleque insolente. - Mamãe perguntou novamente.
-Sim, mamãe.- respondi.
-Então, você vai comê-la... para que o mau seja digerido e extirpado da nossa morada. Vamos lá, coma! Coma, Charles Gein.
Mamãe me obrigou a comer as páginas da revista.
Eu chorava sem parar.
Sem mamãe perceber, reparei um vulto na cortina. Do lado de fora da casa, escondido atrás da janela, Henry observava tudo em silêncio.
Eu estava apanhando de graça.
-NUNCA MAIS TRAGA ESSAS REVISTAS DO DEMÔNIO NESTA CASA...
Henry e eu, sabíamos que eu apanhava em seu lugar.
Mamãe continuava a me bater.
A raiva começava a se instalar em mim.
Meu pai, minha mãe, agora meu irmão?
A raiva começava a se instalar em mim.
Minha respiração começa a ficar mais forte, mais forte e meu olhar focado, no nada.
A respiração começava a ficar forte....