quinta-feira, 5 de abril de 2012

Capítulo XIII

18 de Agosto de 1914

Olá diário, tudo bem? Eu não estou nada bem, apanhei novamente.
Henry estava na escola e papai na casa do vizinho arrumando a afiação da casa.
Mamãe estava na cozinha. Eu esperava o almoço.
Enquanto isso, montava meu quebra-cabeça de 1.000 peças.
Faltava a metade das peças para eu terminar o quebra-cabeça.
Ao pensar e a pensar com as peças nas mãos.... sem querer, vi algo embaixo das almofadas do sofá da sala.
Encontrei uma revista. Uma revista com uma mulher nua na capa.
Eu nunca tinha visto aquilo. Larguei o quebra-cabeça e comecei a folheá-la.
Meu pingulim começou a ficar estranho. Começou a crescer.
As fotos eram bonitas, a cada página, havia mais e mais mulheres nuas.
Do nada, mamãe tirou a revista das minhas mãos e gritou aos berros.
-MEU DEUS DO CÉU CHARLES. CRISTO QUE ESTAIS NO CÉU. QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO SEU MULEQUE ??
Mamãe começou a me benzer ao ar.
-Meu filho, meu próprio filho, já está sendo levado pelo próprio diabo. Oh, meu Deus.
Eu a observava. Não entendia porque ela fazia aquilo.
Mamãe, ao rasgar a revista com toda força dizia:
-Você é um menino muito mau Charles Gein. Simmmm, você merece ser castigado.
-O que houve mamãe? - Eu perguntava apreensivo.
-Porque você está com a mão ai? - Deixe-me ver seu pinto, seu muleque indecente.
-Porque mamãe?
-Ah, então está grande, né?
Mamãe estava nervosa e parecia não acreditar no que via.
Mamãe me debruçou em seu colo, tirou seu tamanco do pé e começou a me bater.
-Tome isso seu muleque indecente. Tome, tome isso para aprender.
-NÃO MAMÃE. PARE POR FAVOR.
-Você está levando essa família inteira ao reino de satanás, Charles Gein. - Pornografia aqui não. AQUI NÃO. Já não disse?
-Desculpe mamãe, por favor mamãe, pare mamãe.
-VOCÊ ESTÁ DIFAMANDO ESTA CASA SEU MULEQUE. - Mamãe dizia aos berros.
-Mamãe por favor, pare. - Eu chorava sem parar.
-Você gostou da revista, Charles Gein? - Mamãe perguntou.
-....
-Me responda seu muleque insolente. - Mamãe perguntou novamente.
-Sim, mamãe.- respondi.
-Então, você vai comê-la... para que o mau seja digerido e extirpado da nossa morada. Vamos lá, coma! Coma, Charles Gein.
Mamãe me obrigou a comer as páginas da revista.
Eu chorava sem parar.
Sem mamãe perceber, reparei um vulto na cortina. Do lado de fora da casa, escondido atrás da janela, Henry observava tudo em silêncio.
Eu estava apanhando de graça.
-NUNCA MAIS TRAGA ESSAS REVISTAS DO DEMÔNIO NESTA CASA...
Henry e eu, sabíamos que eu apanhava em seu lugar.
Mamãe continuava a me bater.
A raiva começava a se instalar em mim.
Meu pai, minha mãe, agora meu irmão?
A raiva começava a se instalar em mim.
Minha respiração começa a ficar mais forte, mais forte e meu olhar focado, no nada.
A respiração começava a ficar forte....

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