segunda-feira, 12 de março de 2012

Capítulo XII

16 de junho de 1914

Hoje, vi papai surrar mamãe com um chinelo velho. Quanto mais ela gritava, mais ele batia. Ela tentava se defender, como se quisesse segurar o chinelo no ar, mas em vão.
Papai batia em suas costas, costelas, parte da cabeça.
-Você é culpada! -Papai gritava.
-Pare George, por favor!! - Mamãe dizia trêmula.
Eu assistia tudo aquilo sentado no tapete da sala.
Ela no chão, se retorcia inteira, papai, não parava de rir.
Havia várias garrafas de whisky vazias pela casa.
-O que acha disso, pequeno Chuck? -Papai me perguntava enquanto descansava um taco em seu ombro.
-Papai, solte a mamãe, por favor! - Disse com lágrimas nos olhos.
Papai sorriu pelo canto da boca e saiu pelas portas do fundo.
Com dificuldade, mamãe começava a se levantar.
Eu a ajudei.
-Deixe ajudá-la, mamãe.
-Charles, meu filho. - Mamãe respondia com cara de dor em sua face.
-Porque papai fez aquilo, mamãe? - Perguntei.
-Seu pai está certo. Eu estou errada. - mamãe dizia. - Devemos respeitá-lo.-Mamãe?
-Seu pai me pediu uma coisa e relutei à fazer. - Devemos respeitá-lo.
-Mas mamãe...?
-Você me entendeu, pequeno Charles? 
-Sim mamãe.
 Aprendi que deviamos usar a força contra aqueles que estão contra nossa vontade.
Mamãe me pôs na cama e dormi sem saber o que havia acontecido.

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